quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A novela e a ciência - dois pontos para se pensar o jornalismo

Por João José Alencar

Assistir a uma novela e deixar o seu cérebro aceitar os erros de continuação, os diálogos rasos e atores-modelos-canastrões, é algo considerado inaceitável a um intelectual, tanto que se torna um pecado a ser acometido na calada da noite e quando descoberto passa a ser utilizado como pretexto de uma pesquisa empírica.

Deixar-se mergulhar em uma realidade paralela e acompanhar dramas que não são nossos é uma forma de dá liberdade a nossa mente, para viajar pela subjetividade e criar combustíveis para a rotina empática que consome os nossos dias.


Um Félix da vida, tomado pela sua crueldade em jogar uma criança em uma caçamba de lixo torna-se um personagem cativante com suas piadas irônicas e com certo tom cruel e sincero, ao ponto de se redimir com a pobreza, vivendo um besteirol vendedor de cachorro-quente. Talvez seja por isso que fins de vilões como a Carminha de Avenida Brasil sejam mais lindos e bem aceitos, apesar de quebrar o paradigma da morte, loucura ou prisão, por transcender o lado da justiça previsível para um humanismo que tende a aceitar o perdão.