quinta-feira, 2 de junho de 2011

CURSO DE JORNALISMO DA UNEMAT NÃO CUMPRE REGIMENTO



Fonte: http://aia.ueuo.com/


Por João José Alencar


Se você é aluno da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) no campus de Alto Araguaia, mais especificamente acadêmico do curso de Comunicação Social - Jornalismo e deseja produzir como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) uma monografia ou produto experimental, seja ele, documentário, revista ou livro-reportagem e gostaria de ter como base trabalhos feitos por outros alunos já formados. Saiba que você terá que ir direto à fonte, porque hoje na biblioteca da universidade encontram-se apenas três monografias e nenhum produto experimental.

Desde o início do curso, já se formaram mais de cinqüenta profissionais que individualmente ou em grupo apresentaram suas pesquisas ao término do curso. Entre os TCC’s apresentados encontram-se uma riqueza de assuntos explorados em diferentes suportes com linguagem e pesquisas voltadas em sua grande parte para a região. Um material que contém informações que poderão servir de base para outras pesquisas e criar uma difusão de conhecimento não só para o jornalismo, como também para os outros cursos presentes na instituição.

Acontece que, apesar de constar na Resolução n°152/2008 do Conselho de ensino e pesquisa (CONEPE) da UNEMAT no artigo n°08 parágrafo XI, o que é reafirmado pelo regimento de TCC do curso de Jornalismo, que prevêem entre um dos procedimentos que, após a conclusão do curso, deve ser entregue uma cópia do material produzido à biblioteca, tais normativas não estão sendo cumpridas e a atual situação mostra que essa regra fica apenas no campo da recomendação.

A bibliotecária Fabiana Souza de Andrade, Supervisora da Biblioteca da UNEMAT em Alto Araguaia, declarou que não cabe à biblioteca a função de cobrar o envio dos TCC’s para compor o acervo, e sim ao Coordenador de TCC de cada curso, que deve recolher do acadêmico o trabalho final e depois encaminhar o material ao setor. O procedimento é executado deste modo para que os coordenadores possam ter o controle do material entregue.

O problema é que o procedimento atual, que deveria ser para organizar, não está sendo cumprido e os futuros pesquisadores são prejudicados por não terem acesso aos conteúdos já concluídos. Os coordenadores não cumprem a sua obrigação, a Supervisão de Apoio Acadêmico e a biblioteca não possuem nenhum mecanismo para barrar a entrega do diploma para quem ainda não fez a sua parte. Isso cabe ao professor e coordenador de TCC.

Os professores não se manifestam e a maioria dos alunos só se depara com o problema na hora que precisa do material e, quando termina o TCC, se esquece de cumprir essa função, já que relativamente não tem uma cobrança efetiva por parte dos docentes que administram essa disciplina.

O resultado não poderia ser diferente: excelentes trabalhos deixam de ser apreciadas, grandes pesquisas que poderiam ser enriquecidas por outros alunos são jogadas ao léu e quem deseja produzir um produto experimental no final do curso é obrigado a começar do zero, pois não possui produtos experimentais para ter como base no seu estudo.

O pior é que em 2012 uma comissão constituída pelo MEC para renovação da licença do curso virá à universidade e um dos pontos que serão notados é a produção dos alunos, que, na prática, é eficiente. A maior prova dessa afirmação são as notas que oscilam em sua grande maioria entre 09 e 10.

O chefe do Departamento de Comunicação, Danilo Persch, acredita que após o concurso dos professores, que trará um efetivo para a disciplina de TCC, e com a eleição para coordenador de curso (mudou de nome o cargo de chefe de departamento) terá dois anos para organizar o departamento, todas essas questões irão se resolver.

Diante disso, fica a reflexão de que adianta se pensar em laboratórios, grandes eventos e consolidação do curso no campus. Se um detalhe tão importante passa despercebido pelos professores e administradores dessa UNEMAT, os mesmo que deveriam ensinar, cobrar e estimular a aquisição do conhecimento entre os acadêmicos negligenciam uma regra que consta em documentos da instituição e que não deveria sofrer exceções.

Quem sai perdendo nessa situação somos todos nós, que, sem um acervo onde se possa recorrer à produção já desenvolvida, desmerece o trabalho realizado pelos discentes e desampara a comunidade, pois a pesquisa tem como função criar ferramentas para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e sábia.

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