sábado, 12 de janeiro de 2013

Big Brother Brasil e alienação popular – A culpa é da TV?

Por João José Alencar


por João José Alencar

Começou mais uma edição do Big Brother Brasil e junto retornam as discussões sobre o programa. De um lado os que são contrários ao reality, pregam que o BBB é um objeto de manipulação e o coloca como culpado pela preguiça das pessoas em dialogar temas mais importantes. De outro os fãs apaixonados, que fazem aumentar o número de visualizações das páginas virtuais que comentam o assunto.

Entre espadas e flores, o programa mostra sua força e mesmo com umas das piores médias de audiência de seu histórico, ainda sim é a segunda atração mais vista na televisão brasileira, só perde para novela das nove, Salve Jorge.

E tem como ponto positivo o fato de ter um baixo custo de produção e um excelente retorno financeiro, tanto que continua sendo uma das maiores fontes de faturamento da Rede Globo e ainda permite a outras plataformas midiáticas (internet, jornal, revistas e rádio) e emissoras concorrentes a obtenção de lucro ao exibir pautas sobre o programa global.

Quem é a favor



Para quem gosta do BBB, uma das explicações é que como entretenimento o produto é uma boa opção. Afinal através do programa, podemos ver intrigas, gente seminua, romances tórridos, traições, conchavos e definir mocinhos e vilões.

Traduzindo para o bom português, podemos cuidar da vida dos outros, sem ter culpas e nem recíprocas, pois nós conhecemos apenas pelo televisor, aquelas pessoas , postas como personagens, e elas jamais saberão de nossa existência. Com isso, o que diariamente acontece em nossa rotina, e que às vezes, nos provoca culpa, pode ser feito sem arrependimentos e sem medo. Já que o slogan do programa nos convida a dá uma espiadinha.

Quem é contra


Para quem é contra, o programa é tido como manipulador, ofende a imagem da mulher, estimula o alcoolismo, tira o foco de debates sociais e corrompe os valores morais. Os defensores dessa ideia se baseiam em conceitos religiosos ou em estudos de caráter intelectual.

Traduzindo para a conversa de botequim, o BBB é tido como uma droga, um lixo que faz as pessoas ficarem mais burras, um filho de satanás que adentra as casas para estimular o pecado, um mal a ser combatido. E eles, intelectuais, precisam pregar para o mundo que não só o programa, mas como a televisão em geral é tão poderoso como o Crack, altamente viciante, extremamente prejudicial e com poucas possibilidades de cura.

Minha opinião



Acredito que ambos os argumentos são válidos, com consciência de que essas são apenas algumas das teorias sobre o Big Brother e que essa discussão é tão explosiva quanto pólvora, e que tanto aqueles que apoiam, quanto aqueles que criticam o programa possuem razões para isso. Que em suas cabeças são verdades formadas com precisão.

A televisão é um produto, com a finalidade de vender, e como tal o Big Brother cumpre esse mérito, porque há público para isso. Eu posso assistir ao programa e mesmo assim ter posicionamentos políticos e ideológicos sobre a sociedade.

A culpa do Brasil ter uma péssima educação, camuflada por golpes de marketing e programas assistencialistas, não é da televisão e sim das pessoas que aceitam as injustiças caladas para manter convenções sociais.

Pois conheço pessoas que não tem sequer o ensino fundamental e que com sua linguagem simples consegue explicar perfeitamente o mar de lama em que vivemos. Todos conhecemos o problema e sabemos que a solução começa com uma educação melhor, com menos discurso e mais prática na busca de uma sociedade menos desigual.

Mas isso dá muito trabalho. O melhor é pegar o controle remoto e assistir o BBB ou começar a elaborar textos e ir para casa dos amigos para falar mal do programa, chamando seus telespectadores de alienados.

Enquanto isso ...  a Rede Globo fatura milhões, os corruptos fazem suas transições milionárias com o dinheiro do povo e aqueles que lutam para combater os verdadeiros problemas são silenciados com ameaças de morte ou tiros na cabeça ou com processos que tentam invalidá-los como líderes sociais ou tem suas almas corrompidas pela sedução do dinheiro.

Em caso de dúvidas, bastam ler o Novo Testamento, ou conhecer um tal de Karl Marx ou averiguar a vida de qualquer outro grande gênio da HUMANIDADE.

Gosto de Big Brother e sei que o país precisa melhorar. O que eu me disponibilizo a fazer é me prontificar a ajudar, com aquilo que sei a quem me solicita ajuda. Queria poder fazer mais, mas nesse momento respeito a minha mãe e todo esforço que ela fez para me formar como cidadão e não quero está nas opções postas acima.

Mas o simples fato de ter consciência disso me permite culpar menos a TV (uns 50%) e o melhor, assistir o Big Brother Brasil. Estando ciente de que poderia está nesse momento em algum lugar do Brasil evitando que áreas de preservação ambiental, reservas indígenas ou terras de trabalhadores humildes fossem ocupadas por fazendeiros gananciosos.

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